Hábitos Antigos: Por que é tão difícil mudar?

O hábito é uma maneira consolidada de se fazer algo; é a repetição de uma ação até que ela se torne automatizada. Por ter sido realizada repetidamente por tantas vezes, as sinapses nervosas dessas ações, tornam-se muito estáveis e fortes, possibilitando que o comportamento fique cada vez mais automático.


Entenda que essa consolidação não é necessariamente algo ruim, esse mecanismo faz parte do processo evolutivo do nosso sistema nervoso, que gera menos esforço para algo que ele entende ser importante pela repetição. No entanto, é bem provável que alguns dos nossos comportamentos solidificados tenham sido necessários em determinado momento da nossa vida (talvez em nossa infância, por exemplo), mas não sejam mais efetivos ou funcionais hoje.


Para modificá-los, entretanto, significa realizar uma ação fora do hábito usual e requer, então, um esforço adicional e intencional. Além disso, por ser algo novo, gera uma estranheza e o não reconhecimento de si do indivíduo.


São necessárias prática e repetição volitivas dessa nova ação, para que ela comece a se tornar um novo hábito, até se consolidar. E dependendo da mudança, talvez seja necessário suporte terapêutico e vínculo emocional para consolidação e adaptação do individuo às transformações.


Crença x Ação


" Se você quer que sua vida seja diferente precisa estar disposto a fazer algo diferente" - Hal Elrod

A frase motivacional de H. Elrod é um estímulo para almejarmos mudanças em nossas vidas, nos fazendo crer que para que ela aconteça seja necessário apenas estar disposto. E realmente a disposição é necessária e essencial, mas somente ela não é o suficiente para que a mudança aconteça.


Muitas vezes temos o entendimento do que queremos ou almejamos em nossa vida, ou o que precisaríamos mudar para que nossa vida ficasse melhor. Sabemos que determinadas atitudes nos fazem mal, mesmo assim, continuamos na repetição desses hábitos e não conseguimos modificar nossas ações.


Isso acontece, porque há uma diferença entre crenças (idéias que norteiam nossa vida) e ações práticas. A crença é mental e não necessariamente está relacionada com a realidade ou com alguma atitude prática. A ação requer uma atitude muscular, corporal. E a mudança só acontece pela ação.



Por exemplo, sabemos que queremos ter uma vida mais saudável inserindo mais atividades físicas em nossa rotina, mas não conseguimos sustentar o hábito de freqüentar uma academia de ginástica. Queremos ter uma alimentação mais saudável, mas pedimos um delivery de um fast food ao final do dia, após o trabalho, 4 vezes por semana.


A dificuldade reside em, apesar de entender a idéia em si, não termos um conjunto de ferramentas concretas de atitudes corporais e musculares para sustentar uma mudança (mesmo emocional) ou criar um novo hábito.


Para a mudança de uma atitude, portanto, não basta a crença e o entendimento. É necessário utilizar o corpo e ações práticas associadas a esta mudança. Esse, portanto, é o papel de terapeutas corporais que auxiliam os indivíduos a gerarem e sustentarem mudanças através de novas formas corporais.

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